estive nessa relação - acredito eu, parei de fazer contas - por 7 anos. hoje, saída dela, consigo ver que foram +- 2 anos de um namoro bacana, de grude, companheirismo...9 meses de gravidez - onde começou a rolar uma certa situação abusiva - e 4 anos de um casamento...infeliz. pra ambos.
é muito difícil reconhecer - não de enxergar, mas de admitir - a relação abusiva. olho e tenho dúvidas, fico foi ou não foi?, etc. é muito, muito, muito mais difícil contar as coisas pelas quais passei nos últimos anos: é como assinar um atestado de 'ok, eu aceito que façam isso comigo', se assumir fraca, ficar sem saber o que as outras pessoas passam a pensar a respeito de vc, enfim...
eu não me abri. pouquíssimas pessoas sabem pq e como se deu o processo do término, de porque tomei essa decisão - e dão muitos palpites. alguns nem sabem que terminou. não passa um dia sem que alguém me incentive a reatar ou desestimule o fato de ter terminado. dizem "a convivência do casamento é difícil mesmo, é a crise dos 7 anos". acham que terminei por tédio ou cansaço (?). eu não quero me expor, não quero expor o outro, e fico calada.
os meus problemas não eram sobre quem lavava o banheiro essa semana ou quem havia deixado de por água na geladeira. eu fui agredida, fui humilhada, enfrentei uma situação de abandono afetivo por anos, sofri uma tentativa de morte - com direito a b.o, corpo delito, processo criminal, condenação (então, eu não estava louca, definitivamente). entretanto, tinha liberdade de ir e vir, de falar com quem quisesse, andar por onde quisesse, gastar meu dinheiro como quisesse - até pq eu vivia absolutamente sozinha, como solteira. eu não vivi todas essas situações por 3 meses. 9 meses. 1 ano. foram 4 anos. e fica sempre a dúvida na minha cabeça: foi abusiva ou não foi abusiva?
o estopim aconteceu de um jeito doido, após uma discussão em que me senti ameaçada e, na sequência, após uma batida de carro boba.
ou quando comecei a notar que ficava feliz em casa sozinha com meu filho.
ou quando comecei a fazer planos pra 'quando estiver solteira'.
ou quando comecei a optar por tomar uma pílula do dia seguinte após cada relação por ter verdadeiro pavor de engravidar - embora quisesse tanto outro filho.
ou quando comecei a notar que minha cachorra desaparecia quando ele chegava em casa.
ou quando comecei a ter vontade de terminar, dia após dia, e tinha medo.
medo real de morrer.






